A Indústria 4.0, também conhecida como a quarta revolução industrial ou, ainda, smart factories (Fábricas Inteligentes), integra os campos de automação, controle e gestão através da tecnologia da informação, trazendo a automatização e customização de seus processos produtivos, levando ao aumento da qualidade e da eficiência e a redução da força de trabalho operacional bruta, sendo substituída por profissionais mais qualificados.

 

Esquema da Revolução Industrial - www.governancas.com.br

:: As ondas da Revolução Industrial ::

 

Esta revolução baseia-se na implementação de Sistemas Cyber-Físicos (Cyber Physical Systems – CPS) que fundem o mundo físico com o mundo virtual através de redes de informações (máquinas, sistemas de informação, interfaces homem-máquina, sensores, atuadores, controladores, PLCs, sistemas, peças, produtos, transportadoras, seres humanos, etc) em toda a cadeia de valor e durante todo o ciclo de vida de um produto. Através da Internet Industrial das Coisas (IIoT – Industrial Internet of Things, uma evolução da IoT para o ambiente da indústria), com seus softwares e dispositivos inteligentes (elementos básicos e imprescindíveis dessa revolução), os CPS estão interconectados e integrados em tempo real, passando a ter independência e descentralização nas análises e nas tomadas de decisões, provendo serviços internos, cross organizacional e extra organizacional, a serem consumidos pelos participantes das cadeias de produção, logística e consumidores.

Os CPS proporcionam integração vertical: criação de valor desde a concepção da ideia até a conclusão, estocagem inteligente e a entrega do produto, através do uso de sensores em cada etapa da produção, por exemplo, para identificação de defeitos/problemas relacionados a qualidade, resultando em redução de retrabalho, gerando a integração em diferentes níveis da hierarquia – como integração dos CPS com os sistemas de controle, gestão e planejamento da produção, do estoque e das vendas. Proporcionam, também, a integração horizontal: integração com o cliente, como o rastreamento do progresso de seu produto e possibilidade de mudança na configuração do mesmo em tempo real e integração com os fornecedores, através de pedidos automáticos de compra de matérias-primas resultantes da análise dos dados do estoque contra o fluxo de demandas de produtos. Através da união dessas duas integrações, vertical e horizontal, torna-se possível avaliar sua capacidade produtiva em determinado momento e decidir por redirecionar uma demanda de produção à uma planta que poderá realizar a manufatura com mais eficiência, obtendo ganho de produtividade, desempenho financeiro e operacional, ampliação de participação de mercado, além de domínio do controle e da visibilidade em sua cadeia de produção.

A aplicação da TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) na Indústria 4.0, no que diz respeito à cadeia de suprimentos, habilita o uso de softwares sofisticados, que evoluem o conceito de planejamento e controles da produção e da qualidade, com robôs autônomos que podem recuperar, de forma incansável, todos os produtos de vários pedidos dentro de um estoque inteligente, retroalimentando o software com feedbacks em tempo real, disponibilizando visualização atualizada dos status dos processos e alterando o planejamento da linha de produção e de aquisição de estoque, de acordo com as demandas recebidas. Com a integração dos sistemas nas nuvens (cloud computing) todo esse processo produtivo pode ocorrer sem limitadores geográficos, isto é, pode estar acontecendo em paralelo em plantas diferentes, mas todas fornecendo dados de sua produção em tempo real, subsidiando tomadas de decisão pela matriz (integração vertical e horizontal), permitindo a virtualização (descentralização e controle) da fábrica inteligente através de softwares – levando ainda à possibilidade de customização, em tempo de produção, de características dos produtos (personalização) por parte dos consumidores, servindo como exemplo de Internet of Services (IoS), onde agrupamentos lógicos de dados e “coisas” tornam-se novas oportunidades e modelos de negócio que agregam valor ao produto final.

Com toda essa miríade de equipamentos inteligentes gerando dados de forma incessante, passa a ser natural e imprescindível a aplicação do conceito de Big Data (grande volume de dados – estruturados ou não – gerados pelas “coisas” e armazenados por softwares), que, de modo sucinto, é utilizado para fazer a transformação, a análise industrial (Industrial Analytics) e sua devida qualificação, convertendo esse imenso volume de dados brutos em informações relevantes ao negócio, como, por exemplo, apontar uma manutenção preditiva em tempo real, evitando a interrupção da produção por falhas não planejadas de máquinas no chão de fábrica.

 

Smart Factory - www.governancas.com.br

:: Smart Factory ::

 

Com a Indústria 4.0, diversos temas/disciplinas deverão ser conhecidas, exploradas e dominadas pelas indústrias: IIoT (base da CPS), CPS (network de informações que integram os mundos físico e virtual), Cloud Computing, Fog Computing e Edge Computing (pré-processamento de dados brutos ou um middleware para convergência/padronização de protocolos de comunicação das “coisas”, como exemplos), Big Data e Industrial Analytics (análise de grandes volumes de dados gerados pela IIoT), segurança da CPS (TIC e cibernética), capacitação e incentivo à P&D (desenvolvimento de tecnologia embarcada, por exemplo), robótica avançada (smart robots, smart drones, etc), inteligência artificial, virtualização (simulação, projeção em 3D), realidade virtual ou aumentada (smart glasses, tablets, telefones celulares), smart wearables (wristbands, watches, glasses), manufatura aditiva (impressão em 3D), biologia sintética, integração de sistemas (vertical e horizontal), remodelagem de processos (produtivo e logístico) e reavaliação do modelo de negócio. Em contrapartida, pelo lado do governo, além da criação de toda a política governamental que suporte uma estratégia de crescimento e reposicionamento global na inovação (o Brasil ocupa a 69ª colocação no Índice Global de Inovação), será necessário estabelecer incentivos que apoiem, fomentem e financiem esta revolução, fazendo com que o Brasil obtenha melhor posição no mercado internacional.

Diante de tantas informações, você já sabe onde entram as Governanças (leia-se GRC) nesse imenso e maravilhoso cenário da Indústria 4.0? A GRC entra na aplicação de praticamente todos os conceitos de Smart Factories apresentados, desde a complexa Governança de TIC junto aos CPS, até o seu nível mais elementar, os dados produzidos pela IIoT, que precisam ser regulados pela Governança de Dados. Isso tudo perpassando por várias outras governanças, como Governança da Informação produzida por esses ambientes, bem como da Segurança da Informação produzida, a Governança das Arquiteturas Empresariais, garantindo a interoperabilidade e integração dos CPS com os sistemas de informação internos e externos, a Governança do Negócio, cuidando da estratégia, da manutenção dos processos de negócio, da pesquisa e inovação e do capital intelectual, dentre outras.

A orquestração da sinfonia de todas as governanças trabalhando de forma uníssona dentro de um cenário inovador e complexo é um grande desafio, mas a decisão de ingressar na geração 4.0 das indústrias com essa orquestra ainda em descompasso poderá trazer impactos consideráveis ao negócio!

Diante de toda essa explanação, fica a pergunta:

– O quanto nossas indústrias estão preparadas para fazer parte da revolução da Indústria/Governança 4.0?

 

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REFERÊNCIAS

Governança de Dados das Vacas e das Coisas

Por que você precisa da GRC

Maturidade no Processo de Gestão de Riscos Corporativos

Robô autônomo da Alibaba reconhece rostos e faz entregas a 15 km/h

Alibaba anuncia robô capaz de escrever descrições de produtos sozinho

Amazon já tem mais de 100 mil robôs autônomos em seus galpões

ADVANCED MANUFACTURING: A Snapshot of Priority Technology Areas Across the Federal Government

Agenda brasileira para a Indústria 4.0

FIESP identifica desafios da Indústria 4.0 no Brasil e apresenta propostas

FIRJAN – Indústria 4.0: Internet das coisas

FIRJAN – Indústria 4.0

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